OPINIÃO: FALTA DE CARÁTER ALIMENTA FAKE NEWS

   Lembro-me nitidamente do dia em que o ex-governador Eduardo Campos morreu. Estávamos alguns colegas de trabalho e eu, durante o almoço, quando um deles viu a informação em uma rede social. Intuitivamente, não acreditei no primeiro momento e sugeri ao colega que entrasse em um site de notícias qualquer. Lá estava a notícia em letras garrafais: A partir daquele momento eu acreditava, de fato, na tragédia.

   Não é de hoje que as "Fake News" existem. Antes tinham apenas o nome de "boato", mas já permeavam nosso dia a dia. O termo em inglês e a popularização tecnológica dessa famigerada ferramenta, porém, é uma coisa recente. Algumas pessoas a utilizam de forma conveniente a seus interesses, aproveitando a falta de educação de uma massa que recebe e repassa uma informação sem sequer desconfiar de sua veracidade.

   Entre os episódios trágicos, citamos o de Fabiane Maria de Jesus (Lado direito da foto), acusada de sequestro e bruxaria envolvendo crianças, que foi brutalmente espancada até a morte, na cidade do Guarujá, em São Paulo, em 2014. Um suposto retrato falado (Lado esquerdo da Foto) publicado na página "Guarujá Alerta", do Facebook, fez um grupo de "retardados" achar que a tal criminosa era Fabiane e cometer a barbaridade. Detalhe: A imagem publicada no grupo era de 2012 e referente a uma mulher que tentou roubar uma criança na zona norte do Rio de Janeiro.

   As "Fake News" do momento, porém, têm um tom mais agressivo. Idólatras do petismo e do bolsonarismo (Auto-intitulados donos da moral e bons costumes) se transformaram em canhões de notícias falsas. Cada grupo incumbido de criar conteúdo falso atacando o grupo adversário. O terreno fértil para adubar as notícias "Fake" são as redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp, principalmente).

   Até existe uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em andamento no Congresso Nacional sobre o tema, mas como todos sabemos, a chance de haver alguma punição pelo crime é muito próxima de zero (Ou um percentual negativo de -10%, talvez). Para se ter uma ideia do nível da coisa, até o nome de um dos filhos do presidente entrou na roda.

   Diante desse turbilhão de mentiras que se propaga internet a fora, um grupo de 24 empresas de comunicação (Aqui de Pernambuco, por exemplo, um dos parceiros é o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação) criou o "Projeto Comprova". A ferramenta principal é o site em que os internautas podem ver o que já foi desmentido, ou confirmado, e também enviar algum conteúdo suspeito, recebido ou visto pelas redes sociais.


   O endereço é o seguinte: https://projetocomprova.com.br/. O lema do projeto é "Jornalismo colaborativo contra a desinformação" e também mantém páginas nas redes sociais. o "Comprova" é uma iniciativa da Organização First Draft com apoio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. 

   Caso você queira enviar alguma notícia que recebeu e duvide da veracidade, o processo é simples: Acesse o site e vá ao campo "Pergunte ao Comprova" (Ou clique direto nesse link: https://projetocomprova.com.br/pergunte-ao-comprova/). Lá você pode explicar onde você viu a suposta matéria e indicar o link. Caso queira receber atualizações do projeto ou enviar notícias pelo WhatsApp, o número de contato é o +55 11 97795.0022. (https://api.whatsapp.com/send?l=pt_pt&phone=5511977950022&text=Quero%20receber%20conte%C3%BAdos!).

   Voltamos a frisar: Por mais conveniente que seja determinada informação, se ela é falsa e o cidadão a propaga sem a devida checagem, ele se torna tão sujo quanto o conteúdo. Busque sempre fontes seguras, desconfie de títulos sensacionalistas e sempre que receber um notícia que lhe surpreenda (Ou lhe revolte), confirme em outros sites antes de escrever "textões" em rede social comentando algo que não existe: O Mico será só seu!!!

Fotos: Logomarca e Página do Projeto Comprova e Retrato Falado (Reproduções). 

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