Tudo começou com um seco “Boa tarde”. Era uma ex-colega de
trabalho que faz parte de um grupo da empresa em trabalhei. Também a
cumprimentei, inclusive, chamando-a pelo apelido. As mensagens seguintes foram
o start para a desconfiança. Ela pedia dinheiro emprestado para efetuar um
suposto pagamento, pois sua conta estava com problemas (Típica estória).
Acendi o alerta:
Por mais que brincássemos e tivéssemos certa intimidade, provavelmente a colega
não pediria uma coisa dessas (Ela nunca fez isso nem quando trabalhávamos
juntos). A cabeça raciocinou rapidamente e disse que estava em um lugar distante
de uma agência bancária, inclusive disse que estava fechada – Já que eram quase
6 da tarde.
Paralelamente a
conversa com a suposta amiga, eu comecei a entrar em contato com outros
ex-colegas e integrantes do grupo no aplicativo de mensagem. Poucos minutos
depois, uma outra ex-colega confirmou minhas desconfianças: O celular da moça
havia sido clonado ou hackeado e muitos amigos dela, inclusive eu, começaram a
ser abordados com a mesma conversa.
A partir daí,
entrou em cena minha curiosidade: Até onde a conversa seguiria. Passei a falar
com o (a) golpista como se nada tivesse acontecido. Pedi a conta para depósito
e fui questionado: Qual o melhor banco para você fazer a transferência?
Mencionei uma instituição que sequer visito.
Antes, porém,
recebi a informação que o valor que a pessoa precisava seria de R$ 1 mil (Um
assalto, pois para outras pessoas, o pedido foi de R$ 500 ou R$ 600 rsrsrsr).
Perguntei até quando poderia fazer a transferência e ele (ela) me respondeu que
até às 12h do dia seguinte. Para minha surpresa, o número da conta foi enviado.
Aliás, informações gerais: Agência, operação, nome completo e até CPF do
suposto beneficiado.
Nessa estória do
banco, eu sugeri outro colega a fazer o mesmo (Pedir uma conta para efetivar a
suposta transferência), porém, mudando a instituição bancária. E não é que ele
recebeu outra conta para fazer a transferência (Com outro nome de
beneficiário)???. Provavelmente é uma quadrilha organizada com inúmeras contas
em vários bancos.
Voltando a minha
conversa com o criminoso, prometi que conseguiria a grana com certeza
(Blefando, obviamente), inclusive, disse que iria tentar naquele momento. Nesse
instante, a pessoa caiu em contradição – PRECISO PARA HOJE (Uai, não era até o
meio dia do dia seguinte???). Mandei ela relaxar (Ainda fingindo acreditar na
farsa), pois conseguiria de todo jeito.
Começou a pressão:
E aí, nada? (Querendo saber se eu havia conseguido realizar a transferência).
Foram dois questionamentos. No último, eu respondi “CONSEGUI”. A ideia era zoar
ainda mais. Iria dizer “Consegui R$ 1.200, vou passar aí na sua casa pra te
entregar. Pra quê transferência bancária se moro na sua rua e posso te entregar
pessoalmente?”.
Pena que a pessoa
não comentou mais nada, então não pude fechar com “chave de ouro”. Encaminhei a
conversa para um amigo policial e deixei pra lá. Os prints presentes nessa
postagem são originais, claro, sem a identificação dos dados e da imagem da
vítima da clonagem, por uma questão de respeito.
A ideia chave deste
“tutorial” é simplesmente: Desconfie SEMPRE!!! Principalmente se envolver
dinheiro. Há pessoas que vivem exclusivamente para se beneficiar da bondade
alheia. Você pode até ter boas intenções e querer ajudar, mas é preciso
muuuuita precaução nos dias atuais. Se o golpista puder lhe arrancar até o
último centavo, ele o fará.
Desconfie do tipo
de abordagem (Ainda mais se vier de um perfil de pessoa conhecida), entre em
contato com amigos em comum e confirme a veracidade do pedido. O aplicativo de
mensagem lhe permite conduzir a conversa no seu tempo (Evitando a confirmação
de leitura, gravando um áudio rápido dizendo que está na rua e mais tarde
retorna). O importante é não se deixar cair na “lábia”.
Fotos: Reprodução / WhatsApp

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