Se nós,
brasileiros, fossemos pessoas melhores, pediríamos e até imploraríamos para os
nossos amigos turistas, que estão pensando em vir ao país, em função da Copa do
Mundo de 2014, abortassem seus projetos de viagem. Estão querendo mostrar lá
fora um país que há muito não vemos: Uma terra segura e de boa infraestrutura.
Só pra exemplificar de forma mais próxima a nossa realidade, destacamos os
confrontos entre torcedores dos times pernambucanos. Durante carreata do Sport,
há algumas semanas, após a confirmação do acesso a série A, milhares de
torcedores tomaram as ruas do Recife. Resultado: Confusão. Invadiram espaços
alheios, vandalizaram, promoveram arrastões e, acredite, se digladiaram entre
si. Teve até nego puxando revolver para impedir mais desmandos.
Neste final de semana, mais bagunça. Comemorando a conquista do Campeonato
Brasileiro da terceira divisão, torcedores tricolores também protagonizaram
cenas deploráveis pelas ruas da cidade. Isto sem contar no torcedor do Náutico,
Lucas Lyra de Freitas, que quase morreu, após ser vítima de um disparo em
fevereiro deste ano, momentos antes de partida entre Náutico e Central, pelo
Campeonato Pernambucano.
As brigas, que não acontecem apenas em Pernambuco, são retratos da velha e
famigerada impunidade que impera em nosso país. Defasagem esta que faz com que
os crimes cada vez fiquem mais graves, já que seus autores sabem que nada mais
acontece além de um simples Boletim de Ocorrência, que ele responde e vai pra
casa, já visando novos delitos.
E
quando pensamos que já vimos de tudo, eis que surge na internet um vídeo em que
PMs de Recife obrigam torcedores do Santa Cruz a entoar o grito de guerra do
Sport, principal rival em terras pernambucanas. Apesar de muitos terem levado
na esportiva e até se divertirem com o fato, as lamentáveis imagens mostram o
quanto estão despreparados estão nossos policiais que, ao invés de mostrar
autoridade e se colocarem num nível superior aos “baderneiros”, se prestam a
este tipo de comportamento que só os coloca no mesmo patamar dos “arruaceiros”.
É evidente que a segurança será reforçada no mês da realização da Copa, mas com
certeza não representam sequer 70% de segurança, já que nem temos efetivo pra
tanto. O que é certo (E espero estar errado) é que muitos virão, mas alguns não
devem voltar, porque não são apenas os entornos das arenas que deverão ser
vigiadas constantemente, são as praias (Vide os arrastões nas orlas cariocas),
os bares, as boates, as vias próximas as comunidades carentes, locais
turísticos, entre tantos outros pontos.
E nem esperem que a FIFA interceda pela segurança dos espectadores dos jogos, o
senhor Joseph Blatter está mais preocupado com o que sua corporação vai
arrecadar do que com o bem estar dos que forem assistir as partidas. Não
mexendo no seu bolso, os estádios podem cair com os torcedores dentro, afinal,
como ele mesmo disse no lamentável acidente da semana passada na Arena
Itaquerão, local da abertura da Copa, “Acidentes acontecem”.
É triste reconhecer isto, mas nosso país nunca esteve preparado para uma Copa
do Mundo. O mundial foi apenas um capricho do nosso excelentíssimo
ex-presidente, Luis Inácio Lula da Silva. Seria necessário, antes de mais nada,
melhorar a educação da população, colocar moral nos bandidos e organizar, de
fato, nossa estrutura. Mas, claro, isto geraria mais custos que os R$ 28
bilhões (Números divulgados em junho pela Folha de São Paulo) injetados neste
mundial. A diferença para os governantes é que este valor para a copa é
investimento. Para melhorias à população (Geradora deste montante) é custo. E
custo desnecessário, diga-se de passagem.
Mas, enfim, que venham os turistas. De preferência, vestidos em armaduras super
resistentes. Como quem vai a uma guerra (Garanto que usar este termo não é um
exagero), basta dar uma “espiadinha” em nossos noticiários diários, pra
entender do que estamos falando.
Fotos: Montagem / George Luiz
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