OPINIÃO: O QUE HÁ COM NOSSAS CRIANÇAS???

   Quanto mais as investigações avançam, mais nos aproximamos da triste constatação: O garoto Marcelo Pesseghini premeditou, arquitetou e pôs em prática a morte de toda sua família. A chacina ocorrida no início de agosto em Brasilândia, na zona norte de São Paulo, nos mostrou o quão pode ser perigoso um menino de 13 anos que se deixa desvirtuar por um filme, um jogo de vídeo game ou mesmo um vizinho mau caráter da rua.
 
   Não é preciso muito esforço para vermos que cada matéria policial apresentada nos telejornais contém pelo menos um menor de idade entre os acusados. Também é perceptível que à medida que a faixa etária diminui, a violência destas “crianças” aumenta desesperadamente. Mas, cabe uma pergunta, o que está acontecendo com as crianças dos anos 2000?
   Sou da geração 80 e completo 30 anos nos próximos dias. Tive uma infância fantástica: Joguei bole, brinquei de pega-pega, rodei pião, soltei pipa e assisti muita televisão. Na minha época, a variedade de produtos televisivos para crianças era imensa. Havia alternativa em todos os canais. Tive meus ídolos, adorava os heróis japoneses da Manchete. Eu achava os Irmãos Metralha engraçados, bonitinhos, mas nem por isso sonhei virar bandido. Havia uma violência ali, mas nada que eu absorvesse e levasse para a vida adulta.
   Na minha época, assim como na das gerações anteriores a minha, não havia a classificação indicativa. Produtos violentos e eróticos eram exibidos em horários abertos aos pequenos, mas ali havia um detalhe: Os pais eram mais presentes. Acabo chegando numa lacuna: A mudança nos costumes está nas crianças ou nos pais das crianças? É uma questão a se verificar.
 
   Certa vez, assistindo a um dos programas policiais locais, vi um adolescente envolvido em crimes dizer que seu sonho era virar matador. Nas regiões periféricas, a ausência de um herói de verdade faz nascer em alguns pequenos à admiração a figura do traficante. Ele é o cara que não estuda, não trabalha, mas ostenta uma grossa e brilhante corrente de prata no pescoço. O exemplo a ser seguido é o sujeito que nunca concluiu o primário e nem teve a CTPS assinada desfilando pelas ruas da comunidade com um carro “tunado”. Com base nestes históricos, aceitar um futuro aliciamento é uma questão de tempo.
   Mas isto não acontece só nas classes menos abastadas. O pequeno Marcelo se junta a Suzane Von Richthofen para formar o seleto grupo de jovens que não vivem na imensa pobreza, mas acabam cedendo à violência desenfreada. A capacidade de assassinar a sangue frio seus próprios pais não é novidade aos nossos ouvidos e é exatamente isso que requer um apuro maior aos novos pais ao tratar da educação dos seus filhos.
 
   É necessário um policiamento maior nas informações que chegam aos “guris”, a demonstração de bons exemplos e um amor que não se confunda com conivência. É amar sem dizer sim a tudo e ensinar que para cada ato, há um limite. Talvez a geração que veio há 10 ou 15 anos esteja “estragada”, exceto algumas honrosas exceções, contudo, acreditemos que uma análise dos fatos atuais irá construir pais mais responsáveis e gerações com mais respeito ao próximo. Ou seja, nem tudo está perdido.
Fotos: Montagem (George Luiz / G News Blog); Desenho (Extraída do “Google Images”).

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