Ao chegar no trabalho, eu e milhões de brasileiros batemos ponto, seja
passando o crachá, um cartão ou, mais recentemente, encostando o dedo ao
sensor, está registrado nossa presença no expediente. Na maioria das empresas,
o não registro resulta em desconto salarial no final do mês. Quando implantaram
o sistema de biometria para o registro de ponto de trabalho, cansadas da
facilidade em se fraudar o até então crachá ou cartão, as empresas pareciam ter
encontrado a arma ideal no combate aos maus funcionários. Bem..., parecia!
Pois bem senhores, nem a tecnologia foi capaz de frear o
instinto maligno de certos médicos (aqueles que prestaram juramento na
formatura, prometendo valorizar a vida dos seus pacientes a qualquer custo) em
mamar às nossas custas, aliás, coisa bem comum em todos os setores da sociedade
e, principalmente, no funcionalismo público brasileiro.
Uma médica foi
presa em flagrante, na Grande São Paulo, no último domingo (10), batendo ponto
de médicos com dedos feitos de silicone. Seis profissionais tiveram seus
“dedinhos” replicados no material e eram utilizados frequentemente para
confirmar a entrada no posto de trabalho. Muitas vezes, não estavam presentes
em metade dos plantões, cujos registros foram efetuados. Em depoimento, a jovem
destacou que o esquema era ainda maior, composto por 11 médicos e 20
enfermeiros.
E quem estava por trás disso tudo, segundo ela? Jorge Cury, o Coordenador do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Conforme a
denúncia, o “chefão” embolsava cerca de R$ 4 mil mensais com a
“brincadeirinha”. A subordinada acabou caindo sozinha, após uma denúncia
anônima que culminou com o flagrante feito por Guardas Municipais. Todos os
envolvidos a abandonaram, inclusive o patrão, que ao falar com a imprensa,
simplesmente falou: “Isso é um absurdo”.
Absurdo ou não, o fato é que a fraude existia e sabe-se lá
há quanto tempo. De quanto é a fortuna estimada, gasta por nós, pobres
contribuintes, em impostos pra manter esta cambada de irresponsáveis (pra não
usar uma palavra de baixo calão)? Quantas vidas se perderam e quantos
atendimentos deixaram de ser feitos, devido à omissão de profissionais que se
comprometeram com a população, ao assinar a ficha de admissão? Só Deus sabe.
O depoimento
foi prestado, a médica foi liberada, a Secretária de Saúde do município de
Ferraz de Vasconcelos prometeu abrir sindicância, como é de praxe. Isto,
oficialmente né? Porque, informalmente, nós sabemos que: Ninguém vai devolver
um centavo pago sem trabalho; Ninguém será demitido; A sindicância, pra variar,
vai dar em nada; Daqui a duas semanas ninguém vai lembrar nem dos dedos
(principalmente se tocarem fogo neles), enfim, vai voltar a ser tudo como
sempre foi e eternamente será: UMA BAGUNÇA!
Fotos: Ponto (George Luiz / G News Blog); Dedos falsos (Divulgação).

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